É
verdade que muitos jovens não querem nada com nada. Mas, um encontro
realizado entre os dias 28 março e primeiro de abril em Goiás, mostrou
que alguns (ainda bem) fogem à suposta regra. Nessa data, jovens
ambientalistas de 14 estados brasileiros se reuniram com especialistas
da área para pensar e dividir. O encontro era para eles. Por isso, ao
invés de palestras o cronograma foi recheado de prosas. Rodas onde os
jovens puderam colocar as suas certezas em formação e ouvir de volta
aqueles que já estão na estrada da educação ambiental há algum tempo.
A oportunidade foi única. A galerinha verde, que cresceu ouvindo sobre
sustentabilidade e meio ambiente mostrou para os veteranos que as
antigas brigas continuam atuais e que, as soluções propostas por eles há
15 anos têm se mostrado efetivas. O evento teve como pauta um tratado de
educação ambiental para sociedades sustentáveis e responsabilidade
global, elaborado no Fórum Global (evento paralelo ao Rio 92). Ele foi
discutido intensamente para preparar os jovens para o VI Fórum
Brasileiro de Educação Ambiental, que acontece no Rio de Janeiro em
novembro.
A idéia era mesmo papear e foi o que aconteceu. Poucas vezes há
oportunidades como essa onde o Ministério do Meio Ambiente, educadores
ambientais, Coletivos Jovens e organizações não governamentais podem se
reunir em baixo de uma mangueira para, simplesmente, trocar. Parece
pouco para os desavisados ansiosos por ações efetivas, mas o que
aconteceu no encontro “olhares da juventude sobre tratado de educação
ambiental para sociedades sustentáveis e responsabilidade global” foi um
rico diálogo. Importante para despertar nos jovens (pelo menos em alguns
deles) a vontade de fazer algo.
É raro que jovens em idade universitária tenham a oportunidade de sentar
frente a frente com integrantes do governo e despejar tudo que pensam.
Pois nesse encontro eles o fizeram. E não só eles. Palestrantes e
representantes do governo também firmaram suas posições sem papas na
língua. A educadora ambiental Michele Sato, por exemplo, colocou sem
rodeios, sua opinião contrária a teoria de Gaia. Nilo Diniz, diretor do
Conama, defendeu o reflorestamento a base de eucaliptos apoiado pelo
governo federal e teve que ouvir de volta uma crítica dura de uma jovem
Catarinense.
Obviamente, nem todos estavam tão interessados quando poderiam. No meio
de duzentos jovens acampados borbulham muitas coisas além de discussões
sérias. Mas, a experiência vivida pelos que de fato se envolveram
compensa a presença dos que estavam apenas a passeio.