PIRI, ETERNAMENTE!
por Michèle Sato
Um enorme parabéns e encantamento ao CJGO, Pat e Lila.
enorme gratidão fluída, que energiza e contagia meus passos adiante.
um beijo amoroso a todos os CJ deste Brasil, que dão o tom e demarcam
a diferença de "quem sabe faz a hora, não espera acontecer!".
OBRIGADA!
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A viagem pelo
Cerrado entre as cidades satélites de Brasília foi agradável na conversa
animada entre Joaquim, Fábio Deboni e eu. Um fado da Teresa Salgueiro,
presente do amigo português embalava a viagem. Uma enorme cachoeira nos
convidava a uma parada de água de coco, na tradicional fotografia de um
turista europeu. Após um agradável passeio nas ruas de Pirenópolis, e um
tradicional empadão goiano, chegamos no estacionamento de terra do Centro de
Permacultura de Ecovilas do Cerrado e adentramos na mata através de uma
estreita trilha de pedras. De repente as pedras se transformaram em madeira
e um longo caminho se projetava para chegarmos à recepção do local. O chão
começou a balançar e era tarde demais para se voltar atrás - estávamos sobre
um rio, numa longa ponte pênsil que ligaria a urbanidade com o campo.
Estranha sensação de entrar na mata do cerrado, puxando uma mala de rodinhas
e a aventura mal iniciava na vida desta paulistana.
Horta, construções ecológicas, chuveiros coletivos, aproveitamento de lixo e
todas as formas de uma vida alternativa se desfilavam como cachoeiras
borbulhantes da contracultura. Um tal de banheiro seco era inédito na minha
vida. Com nossos excrementos caídos numa enorme caixa de compostagem,
adicionado de ferragens e algumas alquimias bacterianas, Lavosieur gritava:
nada se perde, nada se cria, tudo se transforma naquela ecovila.
Um biorregionalismo menos político, mas mais orgânico à natureza mostrava-se
exuberantemente belo. Pensei que talvez não houvesse melhor local para se
falar em contracultura, já que o convite dos jovens que se encontravam
naquele local me incitava à palestra de abertura. E de fato, os dinossauros
abriam o evento na presença de Nilo Diniz, Marcos Sorrentino, Márcia e eu
mesma. Um discurso apaixonado saiu de meus sonhos, entre as diferenças de
gerações, remetidas e pautadas a um movimento que se recusou a envelhecer.
No fundo de "Imagine" de John Lennon, a Tropicália também estava presente na
saudade e no resgate do movimento ambientalista nas décadas de 60, 70, 80
até culminar na Eco92, marco do Tratado de Educação Ambiental.
Após o encantador almoço vegetariano, era hora de cada um lavar seus pratos,
afinal. Nas conversas, encontros e reencontros, a força de jovens entre
14-25 anos me dava um sabor de esperança cada mais forte. Uma seção de prosa
com grupos menores, onde a conversa fluía abertamente, Paulo Freire me
presenteava e recheava minhas emoções, afinal a prosa era à sombra de uma
enorme mangueira. Estimulada por esta memória, meu coração palpitava neste
diálogo com jovens, com os sonhos pela Educação Ambiental. Entre mudanças
climáticas, escolarização, desenvolvimento sustentável, racismo ambiental,
políticas públicas e Tratado, além de vários temas que ali desfilavam,
intimidades apaixonadas, espiritualidades e crises familiares de cabeludos
mal compreendidos estavam também fortemente presentes.
A presença de pessoas do MEC e MMA me deu o sabor de receber a notícia em
primeira mão através de um telefonema em celular: a ministra Marina Silva
foi a primeira a engrossar o caldo do governo Lula e este anunciava que
talvez a fosse a última a sair do seu ministério. Na elaboração de idéias,
sustentabilidade e novas proposições, as reuniões noturnas davam vazão às
políticas públicas nacionais e internacionais. Um quarto com aranhas e o
desafio em se encontrar uma serpente nas habitações, deu uma boa noite de
sonhos e aventuras com a amiga Rachel Trajber, agora colega também de
quartos alternativos ao sabor de ventos e estrelas.
Pat Mousinho, Lila, Heitor, Fred Loureiro, Moisés e outros dinossauros
encantaram estes dias junto com Jovens de Goiás e de todo Brasil, onde
afinal, firmou-se a promessa de que o "sonho não acabou". Não ainda.
28-30março de 2007
Retornando de Pirenópolis, onde senti muita falta da Amanda e do Rona.
CERRADO
Cerrado em ruínas
Pela boca da soja
Devora sonhos de menina
-- Michèle Sato --
(março 2007)
•.¸¸.•♥
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